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quarta-feira, 29 de junho de 2011

May # 5

Lá ia eu. Satisfeita. O cabelo preso em rabo de cavalo, fivelinhas em torno do coque. Um top preto mostrando o físico que um treinamento de 7 anos havia me deixado, e a blusa escrito: May 5. Vários esparadrapos nos dedos para poder bater com mais força, agilidade e tocar melhor ela, a bola. Um short preto com o nome que mais me orgulhava em dizer: Voleyball. Era assim que eu, na minha melhor fase ia feliz pros treinos puxados e preparada para os gritos horrorosos do meu mestre. E eu ia. A menina baixinha, magrinha, que ninguém dava nada, era na quadra uma guerreira, forte, ágil, líder. Meu tênis com amortecedor para proteger o impacto do meu vôo com cortes pesados, para evitar mais dores nos joelhos já apertados por conta do Tensor, aparecessem. Minhas meias brancas subiam as batatinhas da minha perna com minhas joelheiras azuis que eu tanto me orgulhava. Ah! Essas joelheiras que tanto me protegeram. Quem via minhas quedas pensava: essa doeu! Mas não. A menina que nunca foi pro banco, pequenina, era uma gigante nas quadras, titular e líder. Não só quem joga bem mas quem sabe colocar um time pra frente.


 E estava lá, eu, posicionada na zona de saque, olhos atentos da arquibancada, banco e adversárias. Meu treinador me fuzilando com os olhos, eu podia imaginar a bronca que ele ia me dar se eu errasse. Na rede, minha levantadora esquematizava todo o sistema do nosso jogo. Por instantes antes do apito, eu imaginava todo aquele povo me admirando por eu ser pequena e grande ao mesmo tempo. Eu era uma proeza. E eis que soa o apito, meu preparo, uma batida na bola no chão, a braço esticado com ela a minha frente e pronto! Jogava ela alto e com uns três passos eu voava. É, eu realmente voava. Saque viagem. Quando aprendi fui a melhor do meu grupo. 18 pontos seguidos, alguns aces, outras bolas estratégicas na linha. Pá! Toda aquela jogava rápida, as posições se ajeitando, eu atrás, na defesa, ia com tudo de encontro ao chão pra não deixar a gorduchinha cair. Quando eu já estava cansada, ou mesmo como tática, o saque era normal, sem o salto. Mas tinha uma marca minha: o arrastado do pé esquerdo, que me rediam sempre um par de tênis novo, já que eu não podia repor sempre o tênis esquerdo. Ponto nosso, o olhar de "não fez mais que sua obrigação" do técnico. Ainda lembro meus amigos gritando: "ão ão ão a May é seleção" Que bobagem, mas eu amava aquilo. Me sentia uma Virna, uma grande jogadora. Quando eu não conseguia pegar, o olhar era de "sua idiota". É, ouvi muitos xingamentos, mas aquilo me motivava. Se ele ficasse calado, era elogio.


Mas a parte que eu mais gostava era o ataque. "Arh!" era isso que eu gritava quando subia pra bater com toda minha força na bola. A sensação de parar no ar foram poucas, mas eu me sentia dessa vez um Giba. Sair detrás e atacar, marcar um ponto, dar uma medalha na adversária, eu tão pequenininha. As vezes riam de mim quando falavam da minha posição: meio de rede. HAHAHAHA, só me restava pintar duas listras pretas no rosto e partir pra batalha. Certo que a rede não era a profissonal, ai até eu riria, mas não era qualquer rede, era alta.. Contudo, muito prazer, eu era a meio de rede, que atacava e bloqueava com muito esforço, com meus bracinhos curtinhos. E a felicidade quando eu impedia a bola passar era tamanha que eu gritava! Eu via que eu surpreendia. Agora sim, tava mostrando que não podiam duvidar do meu tamanho. Me lembro como se fosse hoje e por muito tempo aquilo era de assustar meu sono, aquele grito ensurdecedor do treinador: "bloqueia! bloqueia! bloqueia!" durante 2 horas. Ele sabia que eu tinha potencial para ser meio de rede, meus ataques eram bons, mas e o bloqueio? Eu sentia que a cada grito dele eu crescia 1/2cm pq depois de longos minutos nesse mesmo grito, eu já conseguia encostrar a pontinha do dedo enrolado no esparadrapo na bola. Quando finalmente eu bati a mão nela, o suor escorreu por entre os seios, e pela minha coluna. Um suor frio. Pronto! Agora se eu não acertar num jogo, esse grito vai me deixar louca. E a emoção de estar no jogo e bloquear era tamanha. Toda vez que subia, eu lembrava daquela voz dele, infernizando meus 1,57 de altura.

Em pensar, comecei a jogar na escolinha de Vôley do colégio, me interessei e fui jogar numa escolinha maior,  depois seleção, jogos fora, no exterior, que eu nunca pude ir, até porque eu sabia que não ia continuar no voley por muito tempo... Fora os rachas que tinha com a galera. Meus maiores parceiros de jogo foram a Jéssica, que esteve comigo na escolinha desde sempre, a Bruna, que ao meu lado enfrentou muitos jogos no colégio e o Igor Clark, que ainda hoje, raramente, bate uma bolinha comigo. Mas bons tempos eram, quando íamos para um "torneio" aqui perto de casa. Éramos sempre May e Igor, a dupla dinâmica. Eu o admirava tanto. Ele me admirava tanto. Dava certo. Unidos por amor a um esporte... que saudade de outrora de minha vida! Quando terminei meu ensino médio que sai do colégio, fiquei sabendo que haviam várias pessoas que iam para a Educação Física apenas para me ver jogar. Sabem o que é isso? Eu tinha fãs! Lembro de um garoto, Ramon, que na Educação Física se aproximou de mim sempre me perguntando algo sobre voley... depois de um tempo disse que me achava muito bossal, mas que sempre ia me ver jogar até que decidiu que queria jogar voley e queria que eu o ensinasse. Aquilo foi AWESOME!


Vocês podem estar se perguntando: "porque parou de jogar?" A resposta verdadeira eu também não sei. Comecei o 3° ano na intenção de estudar e queria me dedicar. Também sentia umas pontadas no coração, justo na época em que muitos jogadores de futebol faleceram por conta de dores assim... foi um misto de medo e cansaço. Talvez fosse minha hora de deixar as quadras, no anominato mesmo. "Anominato" já que eu tinha alguns fãs. Da escolinha em que eu jogava, eu era a mais nova e a menor em altura. E era sempre a capitã. Por mérito. Nada do que disse aqui foi me gabando, falei porque muitas pessoas me diziam o quanto eu era boa jogadora, eu nunca achei que fosse tanto. Me achava esforçada. Gostava que me olhassem e não desse nada por mim até me verem jogar.  Sinto muita saudade, mas enferrujei... o vôley de 7 anos me rendeu dores no joelho, um dedo desmetido que dói até hoje, algumas medalhas e muitas amizades... Pra mim, foi o amor mais puro e verdadeiro, uma relação ímpar, uma terapia, uma satisfação. Eu era a May, meio de rede, número 5. O vôley, é o melhor, o que exige esforço, o número 10 #nota10.


Deixo vocês aqui, com o maior post que já escrevi até hoje, mas com muita dedicação e nostalgia.
Beijo à todos e me twittem ;*

domingo, 19 de junho de 2011

"Desconfie do destino, acredite em você.."

Já dizia meu querido Luiz Fernando Veríssimo:


"Desconfie do destino e acredite em você". (você, você, você, você...)


Não sei, as vezes eu não pareço a melhor pessoa do mundo, mas se eu não acreditar em mim, quem acreditará?Vos confirmo meus caros, até seus melhores amigos um dia te magoam de certa forma que você fica sem entender como e porque... Ai é que te vem o sentimento de mágoa e de "eu sou forte, eu posso me virar só". E em mim mais ainda, depois de uma sucessão de acontecimentos desde o ano passado (2010) até agora, eu tenho alimentado uma dose de orgulho e desapego que só Caio Fernando de Abreu me entenderia! Mas em algumas ocasiões é difícil agir rápido e abstrair esses fatos.
Venho aqui mais uma vez para um desabafo. Estou extremamente chateada com uma situação ridícula que me aconteceu. Imaginem que um grande amigo seu arranja uma parceira e essa tem tanto ciúme que ele passa a te "renegar". Digamos que vocês tenham uma amizade de muuuuuitos anos e por causa de uma paranóia você simplesmente é excluída.. Imaginou? Pois é pior que isso... Não vou entrar em detalhes aqui por questão de ética e até porque seria expor mais ainda a minha vida pessoal e de outrem... Mas se até seu braço direito faz isso com você, o que se pode esperar de outras pessoas?


Por esse motivo, "desconfio do destino e acredito apenas em mim". Agora entendem o nome do meu blog?


Que quer dizer: Seja você. Acredite em si mesma. 


Minha mágoa e raiva já estão até passando com esse desabafo, mas não quer dizer que eu esqueci essa petulância e amanhã estarei com um sorriso aberto para vocês sabem quem... e acho que esse blog será meu melhor amigo, já que eu gosto de tudo que penso e escrevo. Logo, não vou entrar em um conflito tão ridículo comigo mesma. E creio que o blog não tentará me ferir mesmo que sem querer.


Me despeço com um pouco de raiva ainda mas mais leve por ter compartilhado isso. Nada que uma boa noite de sono e um domingo cheio para que eu me abstenha de tudo que me faz mal. Vivendo e aprendendo...
http://ilove.terra.com.br/serena/mensagens/voce.asp


"...Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte..." Shakespeare




Beijos e me twittem ;*
(O real motivo desse post foi para desabafar uma mágoa. Não sei o que será depois do que aconteceu hoje, não descrevi tudo, mas magoou e impressionou demais. E também porque eu "descobri que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la...". Não que a palavra certa seja confiança, mas sei lá, prioridades, compromisso, ponderação, sensatez.. whatever!)